As novas epidemias: Quais DSTs e infecções são cada vez mais comuns e como você pode se proteger PDF Imprimir E-mail

 

Apesar de as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) poderem ser contraídas a qualquer momento da vida, são muito mais predominantes entre adolescentes e jovens adultos. O Centers for Disease Control (CDC) estima que pelo menos 15.3 milhões de NOVOS CASOS DE DST são relatados a cada ano nos Estados Unidos (além dos mais de 67 milhões de pessoas que atualmente têm algum tipo de DST). Um grande número desses casos está entre adolescentes e jovens adultos com menos de 25 anos de idade. Minhas experiências clínicas refletem conclusões semelhantes.
O aumento alarmante em doenças sexualmente transmissíveis pode ser atribuído a fatores tais como:

 

  • Múltiplos parceiros sexuais
  • A não utilização de preservativos
  • Idade precoce à primeira relação sexual (adolescentes estão praticando sexo em idades cada vez mais jovens)
  • Aumento de sexo oral e anal
  • Não buscam fazer exames / tratamento para doenças sexualmente transmissíveis (permitindo a propagação destas)

É difícil saber exatamente quantas pessoas contraíram uma DST, pois muitos casos são assintomáticos, não diagnosticados e tampouco notificados. O CDC normalmente não mantém o controle de doenças sexualmente transmissíveis específicas a menos que sejam uma ameaça à vida. Embora sejam infecções virais graves e contagiosas, altamente predominantes tal como o papiloma vírus humano (HPV), herpes genital e trichomonas, essas não são relatadas ao CDC anualmente. Clamídia, gonorréia (CG), AIDS e sífilis devem ser relatadas, pois essas infecções são potencialmente fatais.
As estatísticas mais recentes disponibilizadas pelo CDC (desde 2004) mostram a clamídia como a DST mais comumente relatada nos Estados Unidos: 929.462 casos de clamídia foram registrados em 2004 comparados com 877.478 em 2003 - um aumento de 51.984, ou seis por cento, em apenas um ano. No entanto, estima-se que perto de três milhões de novos casos de clamídia efetivamente surgem a cada ano.
A segunda DST mais comumente relatada nos Estados Unidos é a gonorréia (GC), a qual diminuiu 76 por cento de 1970 a 2004, porém, recentemente, tem aumentado novamente em vários estados. Uma vez que essa DST é significativamente mal diagnosticada, é possível que haja o dobro de casos novos a cada ano em relação ao que é oficialmente relatado. No caso da sífilis em homens, as estatísticas mostram que o percentual aumentou de 2000 a 2004, com um aumento de oito por cento entre 2003 e 2004. Um aumento no percentual de sífilis entre 2000-2004 não foi observado em mulheres. Sempre encorajo minhas pacientes a fazerem um teste de sangue que detecta a sífilis e, como resultado, tenho recentemente tratado muitas pacientes leigas acerca dessa infecção.
Há também bons motivos para mencionar o vírus herpes simples (HSV). Ao passo que o HSV não é relatado para o CDC, sabemos que está entre as DSTs mais comuns que ocorre em mulheres de todas as idades (com mais de 910 mil novos casos a cada ano e muitos acabam não sendo diagnosticados). Isso é muito comum, porque o HSV é uma infecção crônica e que não tem cura, e é facilmente transmitido de pessoa para pessoa através do contato sexual. Uma vez que uma mulher contrai herpes, este vive dormente em sua medula espinhal e pode ressurgir na área genital, em determinado momento, na forma de bolhas herpéticas, as quais são muitas vezes doloridas. As mulheres podem ter surtos quando estão estressadas, doentes ou até mesmo com excesso de cansaço. Atualmente, existem tratamentos maravilhosos disponíveis a fim de auxiliar a suprimir os surtos e/ou aliviá-los quando ocorrem, de modo que as mulheres não devem ser desencorajadas, mesmo que tal doença não possa ser "curada". (É muito difícil detectar exatamente quando uma mulher contraiu o HSV. Logo, ela não deve jogar o "jogo da culpa"). No entanto, as mulheres devem estar cientes de que a herpes oral (inflamações seguidas de febre) podem ser contraídas na forma de herpes genital durante a atividade sexual oral.
O papiloma vírus humano, mais conhecido como HPV, também está entre as doenças sexualmente transmissíveis mais comuns nos Estados Unidos. Na realidade, até 80 por cento das mulheres serão expostas ao HPV em algum momento de suas vidas sexuais. Este é o vírus associado ao câncer cervical e tem havido avanços enormes no diagnóstico e testes para o vírus através de exame de Papanicolau em base líquida. Além disso, existe uma vacina inédita, a qual é destinada a meninas jovens (com menos de 13 anos de idade) com a expectativa de que algum dia o HPV, e o câncer cervical relacionado a ele, podem ser erradicados.
Para reduzir as chances e a propagação de infecções, ofereço as seguintes dicas:

  • A abstinência da atividade sexual (sexo oral, vaginal ou anal) é a única maneira de proteger-se 100 por cento de contrair uma DST.
  • Relacionamento de longo prazo com um único parceiro: ambos devem fazer o teste de doenças sexualmente transmissíveis, inclusive de HIV, antes de fazer sexo em um novo relacionamento (que, esperamos, seja de longo prazo). As mulheres devem ser cautelosas e seletivas, e as relações devem ser monogâmicas para ambos, de modo a evitar a transmissão de DST.
  • Preservativos: os preservativos masculinos de látex são ainda uma das melhores opções para se proteger de doenças sexualmente transmissíveis. No entanto, dado que os preservativos não cobrem todas as áreas do corpo, podem proteger contra infecções transmitidas através de fluidos, como a gonorréia e a clamídia, embora não ofereça a mesma proteção contra as DSTs que são contraídas a partir do contato de pele com pele, tal como a herpes, o HPV e sífilis. No entanto, eles ainda são uma das melhores barreiras contra as DSTs e gravidez que temos disponíveis.
  • Consulte o seu médico caso você tenha quaisquer preocupações ou sintomas, e faça o teste regularmente, mesmo se você não tem sintomas, uma vez que muitas DSTs podem ser assintomáticas.

É importante lembrar que a maioria das DSTs pode ser tratada e, uma vez que são curadas, podemos reduzir a propagação destas. Logo, mulheres de todas as idades, especialmente adolescentes e jovens adultas, precisam ser transparentes com seus médicos acerca do histórico sexual e procurar fazer testes regularmente.

Tradução e adaptação do artigo da Dra. Adelaide G. Nardone, MD;
Membro do Congresso Americano de Obstetras e Ginecologistas e consultora-médica do Vagisil® Research Center.